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Síndrome de Turner: uma condição genética que só afeta as mulheres

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Existem condições genéticas que podem surgir em qualquer pessoa, independentemente do sexo biológico.  Mas nem sempre é assim. A síndrome de Turner que abordo neste artigo,  acontece apenas em mulheres. Isso porque está diretamente relacionada a um dos dois cromossomos X que fazem parte da nossa formação genética.


Síndrome de turner

Agora que já entendemos o porquê essa condição genética é exclusiva do sexo feminino, vamos passar para as demais informações importantes sobre o que a síndrome de Turner significa na prática, seus sinais, impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida desses pacientes. E, também, como o acompanhamento adequado faz tanta diferença para quem convive com ela.

 

O que é Sindrome de Turner?


Para entender a síndrome de Turner, precisamos relembrar uma informação, que muitos de nós tivemos em alguma etapa de nossa vida escolar. É aquela aula da área de ciências em que nos ensinaram que  cada célula do nosso corpo carrega 46 cromossomos, organizados em 23 pares. Um desses pares define o sexo biológico. Nas mulheres, esse par costuma ser formado por dois cromossomos X.

 

Na síndrome de Turner, um desses dois cromossomos X está ausente ou incompleto. Essa alteração acontece de maneira espontânea, geralmente durante a formação do óvulo, do espermatozoide ou nas primeiras divisões do embrião. Ou seja,  não tem qualquer relação com algo que os pais tenham feito ou deixado de fazer. Ela simplesmente acontece.


É uma condição rara, presente em aproximadamente 1 em cada 2.500 meninas nascidas vivas, e pode se apresentar de maneiras bem diferentes de uma menina para outra, dependendo de quanto do cromossomo X está afetado e de quantas células do corpo carregam essa alteração.

 

Sinais mais comuns


Como as características  variam muito entre uma pessoa e outro é fundamental que cada caso seja avaliado individualmente. Mesmo assim, podemos listar alguns sinais que costumam aparecer com mais frequência entre esses pacientes na infância e na adolescência.

 

São eles:

  • Estatura mais baixa do que a esperada para a família

  • Pescoço mais largo ou com uma prega de pele visível (o chamado pescoço alado)

  • Inchaço nas mãos e nos pés, mais perceptível logo ao nascer

  • Tórax largo, com os mamilos mais afastados entre si

  • Atraso ou ausência da puberdade, com falta de menstruação

  • Dificuldade para engravidar espontaneamente na maioria dos casos

  • Alterações cardíacas congênitas, que precisam de investigação desde cedo

  • Maior chance de hipotireoidismo, diabetes, problemas renais, perda auditiva e escoliose

     

Importante destacar que essas meninas não costumam apresentar comprometimento intelectual. O que pode existir são dificuldades pontuais em habilidades específicas, como raciocínio espacial ou matemática, e isso não define a capacidade cognitiva da pessoa como um todo. Na realidade, algumas meninas com síndrome de Turner, principalmente as que têm apenas  parte das células com alteração cromossômica (o chamado mosaicismo), apresentam quadros mais leves e podem até entrar na puberdade sem precisar de tratamento hormonal.

 

E como diagnosticar a Síndrome de Turner?


O diagnóstico pode acontecer em momentos diferentes da vida das pacientes. Há casos em que a suspeita surge na gestação, a partir de um ultrassom ou de exames de triagem pré-natal realizados a partir de amostras do sangue da mãe. Entre as alterações que podem ser detectadas estão o acúmulo de líquido na nuca do bebê,  alteração cardíaca ou renal, entre outros.

 

Há casos em que a suspeita só aparece na infância ou na adolescência, quando a menina cresce mais devagar do que o esperado ou não inicia a puberdade no tempo típico. Em qualquer etapa da vida em que a suspeita surge, a confirmação é feita por um exame de sangue chamado cariótipo, que analisa diretamente os cromossomos da paciente. A partir daí, entra em cena uma investigação mais ampla, com avaliação cardiológica, renal, auditiva e hormonal, para entender exatamente quais cuidados aquela menina vai precisar ao longo da vida.

 

Qualidade de vida


Mensagem muito importante: com acompanhamento adequado, meninas e mulheres com síndrome de Turner podem ter uma vida escolar, social, afetiva e profissional plena. O segredo está no acompanhamento multidisciplinar, envolvendo geneticista, endocrinologista, cardiologista e, muitas vezes, psicólogo.

 

Além disso, o uso de hormônio de crescimento, sempre com orientação médica, pode ajudar a otimizar a estatura. A reposição de estrogênio pode ser necessária para desencadear a puberdade e proteger a saúde óssea a longo prazo. Também fazem parte dos cuidados, o suporte clínico e emocional. Este último, principalmente na adolescência, período em que questões relacionadas à imagem corporal, à puberdade e à fertilidade costumam gerar mais dúvidas e inseguranças.

 

Tem cura?


A síndrome de Turner não tem cura, mas não se trata de uma condição progressiva que necessariamente limite a expectativa de vida. O acompanhamento médico regular é fundamental, pois reduz significativamente o risco de eventos cardiovasculares.

 

Sobre a fertilidade, embora a maioria das mulheres com síndrome de Turner enfrente dificuldade para engravidar de forma espontânea, uma gravidez é possível em alguns casos, e existem hoje alternativas de reprodução assistida para quem deseja ter filhos. Nesses casos, o acompanhamento durante a gestação precisa ser ainda mais cuidadoso, justamente pelo maior risco cardiovascular.

 

E o que faz a genética?


É exatamente aqui que entra o meu trabalho como geneticista. Entender qual é o tipo específico de alteração cromossômica presente naquela paciente, se é uma ausência completa do cromossomo X ou um mosaicismo, por exemplo. Todas essas informações ajudam a antecipar quais sintomas têm mais chance de aparecer e a personalizar o plano de acompanhamento desde cedo.

 

O aconselhamento genético é fundamental tanto para a paciente quanto para a família, esclarecendo dúvidas, reduzindo a ansiedade que naturalmente surge diante de um diagnóstico novo e orientando os próximos passos. Quanto mais cedo a síndrome de Turner é identificada, mais cedo conseguimos agir.

 

Se você é mãe, pai ou responsável por uma menina com alguma dessas características, ou se você mesma suspeita que pode ter síndrome de Turner, procure um geneticista. Um diagnóstico bem conduzido é o primeiro passo para um acompanhamento tranquilo e para uma vida com qualidade.

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Médico responsável: Dr. Natalia Faissol - CRM 102.004-8 /  RQE 51847   
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